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O Outono de Montreal

Em um post que escrevi sobre a Cidade do Cabo na África do Sul, comecei o texto falando sobre o meu fascínio por cidades grandes e Quebec sempre foi uma região que me gerou muita curiosidade. Estive em Montreal no final de setembro de 2017 e durante os meus 10 dias de um outono atípico, bastante quente e de céu aberto, eu pude me inspirar com muita arte gratuita, ver o sol se pondo majestosamente nos parques da cidade e lidar com uma galera que parecia saber curtir a vida ao ar livre.

Senti que os locais ‘saboreiam’ os dias mais quentes. E com razão: quem mora por lá passa por difíceis meses de um inverno muito frio, ficando praticamente sem vida social. Vi tanta felicidade na cara das pessoas que parecia que a qualquer momento um musical da Broadway iria começar no meio da rua.

Muito segura, muita gente por lá sequer fecha a porta das suas casas ou apartamentos e andam sozinha a qualquer hora do dia e noite. Mas como um brasileiro vacinado, eu não vacilei – toda cidade grande tem seus riscos, por menor que seja a taxa de criminalidade. Por ser tão segura, eu recomendo usar o metrô como meio de transporte principal, já que é eficiente e barato. Também rola Uber por lá.

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Rue Sainte-Catherine no centro de Montreal nada de tédio

Se eu pudesse descrever Montreal como uma pessoa, ela seria uma adolesecente gerada de um romance entre Nova Iorque e Paris. E mais: Montreal como aluna tiraria notas altas em Artes, seria popular no colégio e usaria roupas da moda mas com aquela pegada retrô. Explicarei melhor em fotos de alguns momentos especiais que passei por lá.

Se você curte movimento, o lugar certo para ficar é no centro. De lá você terá fácil acesso para a parada de metrô Place-Des-Arts onde fica o Museu de Arte Contemporânea (Musée d’art Contemporain) e das Belas Artes (Musée des beaux-arts de Montréal). Aliás, descer nesse ponto do metrô te deixa na Rue Sainte-Catherine, que te dará acesso a várias lojas e restaurantes. Aliás, no fim dessa rua você cairá na turística Gay Village, o famoso reduto LGBT da cidade, enfeitada com as cores do arco-íris.

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A cara da Boulevard Saint-Laurent e arredores pensões estudantis e arte urbana

Uma rua que gostei bastante foi a Boulevard Saint-Laurent. Espere por um público jovem e algumas lojas hipsters bem bacaninhas, com opções para quem tem mente aberta para arte e moda. Os arredores têm carinha de Nova Iorque.

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Le Plateau é um dos bairros ricos da cidade, com um ‘Q’ de West Village em NYC

Nessa mesma rua você poderá encontrar uma unidade da Frite Alors! conhecida pelo bom custo-benefício. Foi lá que provei o poutine, o orgulho de Quebec. A versão tradicional do prato consiste em batatas fritas com um molho a base de carne e pedaços de queijo coalho. Coração até bateu mais forte, mas no meu caso, não foi de emoção e sim  das artérias entupidas. Não curti muito, mas geral adora.

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Poutine batatas fritas belgas, molho a base de carne e queijo coalho derretido

Ainda sobre cozinha, Montreal é muito influenciada pela gastronomia francesa ou seja: tem manteiga, queijo e creme de leite em tudo. E não estou reclamando. Há lugares excelentes para opções saudáveis – só talvez não serão tão baratas (e tão gostosas) quanto um folhado fresquinho crocantão.

O Marché Jean-Talon é tipo um mercado público que conta com alguns restaurantes e cafés ao seu redor. Tem barraca das conhecidas ostras frescas da Île d’Orléans (ilha próxima da cidade de Quebec), mas o destaque vai para as berries: os morangos e frambosas são lindos e baratos. Devorei caixas inteiras de morangos na hora do lanche, na rua mesmo ou num parque. Mas se você tá a fim de um carbo com mais energia, vá para a O’Bagel. Gostei de todos os sabores das bagels que provei, mas a de mirtilo me conquistou. Levemente adocicado, macio e com aquela textura puxa-puxa. Saudades.

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Esquilo stalker me seguiu pelas quadras do Le Plateau e ganhou uma castanha de recompensa
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Sol se pondo no lago Lac Aux Castors no principal parque da cidade Mont-Royal

Sobre parques: Montreal está cheia deles. O mais famoso é o Mont-Royal. De lá você não só tem acesso a muito verde como também uma vista do centro do alto, mas consegui vistas bem melhores de um apartamento de um amigo no miolo do rolê (foto abaixo). Um dos momentos que mais curti nesse parque foi o pôr-do-sol do lago Lac Aux Castors. Sério, apenas viva isso.

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Centro de Montreal de cima. Do mirante do Parc Mont-Royal você tem visão mais ampla da cidade

Nos domingos de tarde no parque Mont-Royal, ao redor do monumento George-Étienne Cartier, rola o Tam-Tams, um evento cheio de jovens ao som de percussão improvisado ao vivo. A vibe é muito boa!

Vale menção honrosa para o parque La Fontaine, que conta com um restaurante meio ‘pega turista’ (caro e não tão bom assim) mas que vale a pena se você quiser uma pausa. Bom parque para corridas.

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Porto-Velho de Montreal (Vieux-Montreal) um pedaço bem turistão com cara de Europa antiga

Tá, chegou o momento de falar da parte velha de Montreal (Vieux-Montreal). Tem muita coisa já escrita na rede sobre ela. É talvez a parte mais turística da cidade, sempre lotada, porém obrigatória. O lugar é lindo e a arquitetura muda drasticamente do resto da cidade: parece que você foi transportado para a Europa em poucas estações de metrô. Tem muito restaurante bom e lojas de lembrancinhas e se você curte correr, o porto velho é uma área bem legal para isso. Foi lá que provei comida polonesa pela primeira vez no concorrido Stash Café. Escolhi um dos menus de degustação e achei tudo delicioso.

Mas vou dizer o que mais gostei da Montreal velha: a exposição sem fins lucrativos Cité Mémoire, que retrata a história da cidade com arte projetada por todos os cantos da região. Confesso que foi a primeira coisa que vi na cidade e me fez gostar de Montreal logo de cara. É meio darkzão e faz o seu passeio a pé muito mais prazeroso. Algumas projeções são de arrepiar. Sonhei com algo parecido assim em São Paulo (cidade onde moro) mas essa é uma outra história.

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Exposição gratuita ao ar livre Cité Memoire
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Cité Mémoire rosto de homem refletido nas árvores na Montreal Velha

Não posso deixar de falar sobre a famosa folhagem típica do outono norte-americano. Como eu fui no ínicio da estação, eu apenas presenciei as folhas começando a secar. Confesso que um dos motivos da minha empolgação para visitar Montreal era ver a cidade pintada de cores pastéis e avermelhadas, mas não foi dessa vez. O que escutei de locais é que eu deveria ir mais da metade para o fim de Outubro. Foi por pouco!

De Montreal você consegue ir muito facilmente para Quebec City de trem. Há uma estação no centro que te leva para essa cidade conhecida pela gastronomia e beleza arquitetônica e pouco mais de 3h. Mais informações aqui.

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Fernando Borsatto

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