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Tóquio : Comer, beber e comprar

Como disse uma amiga: “fazer um guia de Tóquio não é algo muito justo”. E não é mesmo. Para começo de conversa, Tóquio não é uma cidade, e sim uma província. Nela há aldeias, cidades e 23 bairros especiais, que constituem a área do centro administrativo. Esses bairros possuem alta autonomia, tornando-os semelhantes às cidades independentes. Cada um tem seu próprio prefeito e regras. Só para ficar mais claro: Shibuya, Shinjuku, Minato, Chiyoda são bairros especiais. Ou seja, quase municípios.

Crédito: Andre Benz - unsplash
Tóquio. Crédito: Andre Benz – unsplash

Essa autonomia é visível ao andar entre um bairro e outro, pois cada um tem seu próprio centro comercial, características e até mesmo pratos típicos. Porém, não é apenas isso que faz ser tão complexo e, até, injusto fazer um guia da cidade, mas a quantidade de lojas, de restaurantes, de shoppings, de parques, de lugares para ir.

Guia básico de sobrevivência: moeda, visto e internet

A moeda é o iene. Mil ienes equivalem a R$ 30. É importante saber que muitos lugares não aceitam cartão de crédito, especialmente restaurantes, bares, cafés e izakayas. Então é crucial levar dinheiro em espécie. O melhor câmbio que encontrei em São Paulo foi na Tunibra.

É necessário visto para entrar no país. Ele sai em dois dias e custa R$ 97. Para solicitá-lo é necessário ter a passagem emitida ou reserva. O máximo de tempo possível para ficar como turista são 30 dias.

Evite comprar plano de dados no aeroporto, pois os preços são abusivos. É possível alugar um modem, a melhor opção para estar conectado no país, e retirá-lo na chegada. Um modem suporta até dez devices e tem uso de dados ilimitados. Custa entre 3.950 (até dois dias) a 12.450 ienes (um mês de aluguel).

Como se locomover na cidade

O melhor jeito de ir do aeroporto para a cidade é de trem. A viagem dura em média 1 hora e custa por volta de 1.500 ienes, dependendo onde vai ficar. Atente que o bilhete tem vagão e lugar marcados.

Esqueça táxi e uber. Metrô, trem ou ônibus são as opções mais em conta, mas ainda assim não tão baratas para quem ganha em reais. Mas táxi é algo quase pornográfico até para os japoneses, por isso os hotéis cápsulas são tão populares por lá, pois são opções mais baratas para quem perdeu a hora ou esticou a noite em algum lugar.

Foto: Carina Sze - unsplash
Tóquio. Foto: Carina Sze – unsplash

O transporte público não tem erro. Compre um cartão Pasmo ou Suica no aeroporto ou nas máquinas na entrada dos metrôs e abasteça com créditos em ienes. O valor de depósito para compra do cartão é 500 ienes, mas que é devolvido quando você não for mais
utilizá-lo. É só ir até uma estação de trem (Shibuya, Shinjuku ou Tokyo Station, por exemplo) e fazer a troca. Inclusive o saldo é devolvido também em dinheiro. É possível usá-los também para comprar qualquer coisa nas lojas de conveniências.

Com o Google Maps na mão tudo se torna mais fácil, mas uma dica: o Mapa da Apple tem uma funcionalidade extra que é uma mão na roda. Ele informa o número da saída da estação, que são sinalizadas por números. Tem estação que chega a ter mais de 14 saídas, então ter o número correto dela é uma benção.

Quem gosta de bicicleta e se sente confiante em uma, Tóquio é ótimo para elas. A cidade é plana, as pessoas respeitam os ciclistas, MAS não tem ciclovias (mal tem calçadas) e as ruas são muito movimentadas. Para inseguros em pedalar em lugares movimentados como eu, não é a melhor pedida.

Foto: Lalai Persson
Foto: Lalai Persson

Entregue-se também às caminhadas. É o melhor jeito de conhecer e entender Tóquio. Eu andei em média 20 quilômetros por dia numa boa e fiz ótimas descobertas.

As melhores regiões para se hospedar

Shibuya. Foto: Lalai Persson
Shibuya. Foto: Lalai Persson

As regiões de Shibuya, Shinjuku e Minato são as mais concorridas, mas a sacada de mestre é ficar ao lado de uma estação da linha Yamanote Line (JR), que é circular. Mesmo que ela não esteja em nenhum desses três bairros, mas tenha uma estação dessa linha, pode reservar de olhos fechados.

Quanto tempo ficar

Eu apreciando a vista do meu quarto.
Eu apreciando a vista do meu quarto.

Tóquio é o tipo de cidade que dá para ficar muito tempo e ainda assim não ver tudo. Uma semana é o mínimo que a cidade merece.

Escolhendo um restaurante

Comer em Tóquio é uma das melhores experiência que qualquer pessoa pode ter na vida. São cerca de 80 mil restaurantes com 234 estrelados Michelin na lista de 2018. São 12 restaurantes com três estrelas, 56 com 2 estrelas, 166 com 1 estrela, além dos 278 restaurantes listados como Bibi Gourmand. Muitos deles o preço médio é R$ 150. O Tsuta, que mantém sua uma estrela desde 2015, os pratos de ramen custam cerca de R$ 30.

Foto: Sharon Chen - unsplash
Foto: Sharon Chen – unsplash

Ao contrário do que achamos, comer em Tóquio pode custar menos do que em São Paulo. Esqueça os rodízios, porque lá não tem. Já o sashimi você pagará uma pequena fortuna para degustá-lo. Combinado sashimi e sushi não existe. Isso é coisa nossa.

Para sushi, caso queira gastar pouco, experimente o kaiten-zushi, sushi-rotativo que vai passando na esteirinha. A dica é almoçar sempre entre 12 e 14h, quando os restaurantes tem o menu especial de almoço, bem servido e barato. Em Tóquio alguns dos pratos do dia-a-dia são tonkatsu (filé de porco à milanesa), lámen/soba/udon, yakitori (espetinho), okonomiyaki (espécie de panqueca frita feita na chapa), donburi (bowl com arroz e peixe cru ou carne em cima).

Sashimi no Tsukiji Market - Foto: Jonathan Forage - unsplash
Sashimi no Tsukiji Market – Foto: Jonathan Forage – unsplash

É fácil comer bem em Tóquio, mas é fácil errar também. Difícil mesmo é fazer uma lista além dos estrelados. Nas minhas andanças pela cidade (passei 25 dias no total em duas viagens distintas), eu tentei visitar o máximo possível dos bairros. Eu costumo fazer um cruzamento de dados antes de atravessar uma porta de um restaurante, além de seguir meu instinto: pesquiso no bento.com para ver se tem referência do lugar e consulto o próprio google e/ou foursquare. Algumas vezes fui na sorte e me dei bem, outras não, mas o saldo geral foi positivo.

Izakaya em Shinjuku. Foto: Lalai Persson

A comida é apenas um dos vários fascínios que Tóquio oferece. Desvendar a cidade parece complicado, mas pode ser bem simples. Tóquio é a cidade que pede entrega.

Para passear

Eu no rolê.

O que não falta é lugar para bater perna. Quando percebemos as diferenças entre os bairros, aí a gente chora para ter mais dias na cidade para explorar cada quadrilátero dela. Uma das melhores coisas é deixar se perder.

Shibuya. Foto: Lalai Persson

Shibuya, Shinjuku e Minato são três dos bairros obrigatórios, mas pode ter certeza que vale a pena ir além deles. Chiyoda é onde fica Ginza, um dos bairros mais chiques de Tóquio.

Antes que você torça o nariz, é em Ginza que ficam a flagship de 12 andares da Uniqlo e a GU, uma marca mais baratinha da Uniqlo. Em Chiyoda tem também Akihabara, o bairro mais nerd de Tóquio, onde a boa pedida é visitá-lo no fim de semana, quando os cosplays desfilam por lá.

Ginza. Foto: Benjamin Hung – unsplash

Shinjuku esconde, literalmente, um dos meus izakayas favoritos, o Kanae Izakaya. Ele fica escondido no subsolo de um predinho numa rua cheia de restaurantes. Mas ele tem dois inconvenientes: é permitido fumar na mesa e eles cobram 800 ienes dos turistas, que são raros por lá. Ainda assim, a visita vale muito a pena. Foi nele que comi o melhor toro, o filé mignon do atum, da minha vida.

O toro do Kanae. Foto: Lalai Persson
O toro do Kanae. Foto: Lalai Persson

Shibuya, além da famosa “crossing street”, tem também uma das áreas que eu mais gosto em Tóquio: Tomigaya. É uma área menor com ruas estreitas na lateral do famoso Yoyogi Park. São vários restaurantes, cafés, cervejarias, livrarias, floriculturas e alguns brechós, um mais bacana que o outro. Um dos cafés mais famosos da cidade, o norueguês Flugen, fica por ali. Mas quem ganha o meu coração naquela área é o Little Nap Coffee Stand.

Little Nap Coffee Stand. Foto: Lalai Persson
Little Nap Coffee Stand. Foto: Lalai Persson
Tomigaya é a área mais charmosa de Shibuya. Foto: Lalai Persson
Tomigaya é a área mais charmosa de Shibuya. Foto: Lalai Persson
A área de Yoyogi Park. Foto: Lalai Persson
A área de Yoyogi Park. Foto: Lalai Persson

Harajuku e Omotesando são indispensáveis para quem visita Tóquio. As duas se cruzam entre Shibuya e Shinjuku. Enquanto Harajuku é uma das áreas mais teenagers da cidade, Omotesando abriga as grandes marcas de luxo e verdadeiros tesouros arquitetônicos. A Cat Street é uma das ruas mais charmosas da região. Nela é entrar e sair de cada portinha sem pensar. Não tem o que errar. Foi nessa área que comi um dos melhores burgers de Tóquio, o The Great Burger, que tem sempre fila, mas a espera nunca é longa.

O suculento burger do The Great Burger. Foto: Lalai Persson
O suculento burger do The Great Burger. Foto: Lalai Persson
Eu no Omotesando Hills, projeto do Tadao Ando.
Eu no Omotesando Hills, projeto do Tadao Ando.
Tokyu Plaza em Harajuku. Foto: Ivy Barn - unsplash
Tokyu Plaza em Harajuku. Foto: Ivy Barn – unsplash

Shimokitazawa e Koenji são dois bairros que merecem uma visita. São menos “mainstream”, menos “turísticos” e ficam mais afastados. Ambos são o paraíso para quem adora brechós, conhecer marcas locais independentes, lojas de discos, cafés, bares e restaurantes menores e menos muvucados. A regra neles é “explorar”. Entrar de portinha em portinha, revirar araras, colocar os discos pra tocar, sentar num izakaya para descansar e degustar um sakê. Os dois bairros podem ser considerados os mais “hipsters” de Tóquio. Para fãs de brechós, eles são paradas obrigatórias.

Brechó em Shimokitazawa. Foto: Lalai Persson
Brechó em Shimokitazawa. Foto: Lalai Persson

Quem gosta de parque vai se esbaldar, pois Tóquio oferece uma lista imensa de opções. Apesar de óbvio, eu gosto bastante do Yoyogi Park e do Ueno, mas o Shinjuku Gyoen National Garden é disparado um dos mais bonitos.

A sorte de ter pegado a folhagem de outono. Foto: Lalai Persson
A sorte de ter pegado a folhagem de outono. Foto: Lalai Persson
Casamento tradicional no Meiji Jingu Inner Garden. Foto: Lalai Persson
Casamento tradicional no Meiji Jingu Inner Garden. Foto: Lalai Persson

Para quem gosta de museus, Tóquio tem uma lista decente. Mori Art Museum, The National Art Center of Tokyo, 21_21 Design Sight, Tokyo Photographic Art Museum, Watari Art Museum, Nezu Museum são meus favoritos. A consagrada artista Yayoi Kusama abriu recentemente seu próprio museu na cidade, mas é necessário comprar ingresso antecipado para visitá-lo. Para fãs do Studio Ghibli, o museu é imperdível e também é necessário comprar ingresso antes de ir. Caso vá visitá-lo, Kichijoji é um bairro que vale a pena explorar. Lá tem também o belo parque Inokashira.

O minimalismo do Tadao Ando em 21_21 Design Sight. Foto: Lalai Persson
O minimalismo do Tadao Ando em 21_21 Design Sight. Foto: Lalai Persson
the National Art Center Tokyo. Foto: Lalai Persson
the National Art Center Tokyo. Foto: Lalai Persson

 

Fãs da Muji vão se deleitar. A flagship em Yarakucho é a mais impressionante de todas. Nela se encontram acessórios, bugigangas, supermercado, móveis, roupas, malas. E ainda tem um café delicioso e uma boa seleção de livros. É um ótimo lugar para comprar presentes.

Supermercado da Muji. Foto: Lalai Persson
Supermercado da Muji. Foto: Lalai Persson

Quem quiser ver Tóquio das alturas, mas prefere economizar o valor cobrado pelo Tokyo Skytree, o Metropolitan Government Observatory tem entrada gratuita. Dele é possível avistar Tóquio de 202 metros de altura. Caso dê sorte e o céu esteja aberto, é possível ver o Monte Fuji aos fundos.

Tóquio Skytree. Foto: Blen Blennerhassett - unsplash
Tóquio Skytree. Foto: Blen Blennerhassett – unsplash

Quem, assim como eu, gosta de bons drinks, tem vários alleys (ou yokocho, ruela em japonês) – ruas de bares – pela cidade. Geralmente cabem entre 6 e 8 pessoas sentadas no balcão, servem comida de boteco (mais petiscos do que pratos preparados) e drinks, muitos drinks.

O mais famoso deles é o Golden Gai, com mais de 200 bares, mas eu pularia ele. É super turístico e cobram mil ienes só pra sentar no balcão. O meu alley favorito fica ao lado da estação Shibuya, mas quase passa desapercebido pelos passantes, o Nonbei Yokocho. São apenas duas ruelas, a principal com lanternas e uma interna, à direta.

Nesta interna tem um dos meus cantos favoritos em Tóquio, o qual eu nunca consegui descobrir o nome. É o último bar à direita, de quem vem da avenida. Ele tem apenas 6 lugares, serve petiscos, ótimos sakês e cerveja bem gelada. Caso apareça por lá, procure pela mama e mostre essa foto para ela:

A mama. Foto: Lalai Persson
A mama. Foto: Lalai Persson
Já vesga de tanto sakê.
Já vesga de tanto sakê.

Tóquio é a cidade com mais lojas de discos do mundo, ou seja, um pequeno paraíso para amantes da música. Além das lojas, Tóquio tem uma grande cena de bares para escutar música. Quem gosta de dançar, o Bonobo é uma ótima opção. Ele é tão pequeno, onde cabem apenas 50 pessoas na pista. O VENT, Oath e Unit são clubes que costumam ter uma boa programação.

Tóquio, paraíso pra quem ama música. Foto: Lalai Persson
Tóquio, paraíso pra quem ama música. Foto: Lalai Persson

O difícil de Tóquio é realmente ir embora. É deixar a cidade para trás. Tóquio é daqueles lugares que explodem nossa cabeça com sua intensidade. É fácil colocá-la na lista de lugares favoritos no mundo depois de conhecê-la. Prepare-se para se apaixonar.
Bônus: clique aqui para salvar o mapa com meus lugares favoritos tem Tóquio.

Lalai Persson: perfis @lalai e @chickenorpastasir

Lalai Persson

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